Educasul debate o futuro da educação nacional e reafirma prioridades.
Ao abordar os principais aspectos da diversidade cultural no cotidiano escolar, a inclusão como direito social, e as práticas metodológicas das professoras de bebês, o Educasul foi encerrado na última quarta-feira (26), em seu terceiro dia de trabalhos, confirmando prioridade para a educação nacional em todos os níveis de ensino, da creche à universidade, especialmente de temas importantes para a educação básica.
O encontro é referência no Brasil e em sua sétima edição teve a presença de 3,2 mil educadores vindos de todas as regiões de Santa Catarina. O sucesso do evento, que contou a história do que está acontecendo na educação brasileira, foi atribuído pelo Secretário de Estado da Educação Marco Tebaldi à “credibilidade e a coerência de seus organizadores, além de entidades apoiadoras bem conhecidas e respeitadas”. O secretário da Educação salientou a necessidade de ampliar as possibilidades de formação dos docentes e o Educasul se revelou “uma perfeita parceria para agregar uma qualidade ainda maior ao trabalho que já desenvolvemos no Estado”.
DIVERSIDADE
A questão da diversidade na escola, cada vez mais considerada um aspecto fundamental na aprendizagem dos alunos, ganhou destaque na palestra da professora Cristiana Tramonte (UFSC). No passado era comum se indagar o que fazer com a multiplicidade e como não havia nenhuma resposta hábil, simplesmente se excluía o assunto. “Hoje, o futuro da educação é entender que todos somos diferentes”, advertiu Cristiana, salientando a diversidade como fator intrínseco ao ser humano. Nesse sentido, observou, a escola precisa se manter aberta não apenas à discussão do tema, mas, sobretudo, em transformar boas intenções em ações práticas que estimulem “a superação das discriminações ou estereótipos de toda sorte, e valorize a diversidade em sala de aula”.
Outro tema que mereceu a atenção dos educadores foi a inclusão como direito social. Ao abordar esse item da programação de encerramento do Educasul, o professor e padre Wilson Groh falou sobre a urgência de se “recuperar a importância do educador olhar o educando como sujeito de direito, contextualizado, dono de seu próprio nome, que tem endereço, vez, voz e saberes”. Ele afirmou que “cabe à escola aprender a abrir-se para um caminho de interação”, enfatizando adiante que “a gente não pode naturalizar as desigualdades sociais”. Em sua opinião, as diferenças sociais devem instigar a escola a ensinar seus alunos a pensar, “produzindo um pensar critico que recupere no educando uma leitura de si, do outro e do mundo, para materializar essa esperança que está dentro dele enquanto oportunidade”.
As pesquisadoras Maria Carmem Barbosa e Angela Coutinho (UFRGS) conclamaram os educadores para que fiquem atentos às especificidades do trabalho pedagógico na fase inicial escolar. O apelo foi feito durante a palestra sobre “Professoras de bebês: caminhos metodológicos”, em que detalharam modernas práticas nas creches, as quais priorizam o atendimento com qualidade. Trata-se de uma docência que por ser tão diferenciada das demais requer certos cuidados. “Afinal, quais são as concepções que estão na base dessas práticas pedagógicas?”, indagaram, acentuando que “é preciso compreender o bebê como um ator social competente, como sujeito que também atua e não um ser humano que só vai receber os resultados das ações de outras pessoas”.
OBJETIVOS ALCANÇADOS.
A proposta do Educasul, de 24 a 26 passados, foi promover um encontro entre gestores de escolas, alunos, professores, escolas, pais e autoridades para a compreensão da necessidade da educação e do conhecimento necessários ao exercício da plena cidadania com a participação social e política, além de estimular o exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais.
Realizado em Florianópolis, a capital brasileira com o melhor índice de desenvolvimento humano (IDH) e a quarta cidade brasileira com a melhor qualidade de vida, seus resultados continuarão repercutindo e vão intensificar ainda mais a aproximação entre o seu público alvo e as diversas práticas pedagógicas e ferramentas para o incrementar o ensino de qualidade. A data para a oitava edição do evento será em breve anunciada.
DISCURSO DE ENCERRAMENTO
Congressistas, patrocinadores, expositores e parceiros.
Realizar o Educasul 2011 foi um desafio.
Nosso objetivo principal, foi o de continuar a contribuir de forma categórica com a qualificação do ensino no Brasil.
Foram muitos dias de dedicação da nossa equipe que trabalhou para construir um espaço democrático de debates em torno do maior desafio que o Brasil enfrenta: uma política com foco na valorização da educação.
O grande educador Paulo Freire dizia: o fascínio do aprender está no encantamento da descoberta, independente da idade que se tenha. Por isso o tempo do verbo aprender é sempre presente.”
Assim, pensamos e acreditamos que a educação é o único elo de construção da capacidade e do desenvolvimento do ser humano.
É e sempre será. Os desafios são muitos, mas o maior é aquele que deve afirmar o papel fundamental do professor e de sua formação neste elo de desenvolvimento. Saber não é mais nobre do que compartilhar.
Nas palavras do filósofo e educador, Mario Cortella: “a esperança só alcança os covardes, pois os que esperam nunca se determinam, e quem se determina dispõe de uma força de ação que faz acontecer. Quem espera se imobiliza, se conforma e não revoluciona.”
Vídeos
José Carlos Libâneo:
Maria Carmem Barbosa e Angela Coutinho:
Katia Smole:
Padre Wilson Groh :
Cristiana Tramonte:
Celso Vasconcelos:
Elvira Souza Lima:
Joris Marengo:
Fotos
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