FEIRA DO APRENDER
Mais uma empresa resolveu apostar no sucesso do Educasul: a Editora FTD. Com mais de 100 anos de história e filiais e distribuidoras espalhadas por todo o país, a editora, que agora também atua no ramo de Sistema de Ensino, acredita que sua participação no evento possa fortalecer a marca em Santa Catarina. “Nós trabalhamos com duas frentes: a comercial e a institucional. É muito importante a exposição que temos aqui no Educasul, porque podemos levar ao nosso público um novo produto, que é o Sistema de Ensino, ao mesmo tempo que estamos lado a lado com professores, coordenadores e diretores reforçando nossos laços institucionais”, enfatizou Juarez Santana, gerente da FTD que atua em Curitiba.
Com o tempo, a Editora firmou-se na liderança de adoção de obras das disciplinas básicas do currículo escolar, estabelecendo padrões de qualidade na linguagem, no conteúdo e na apresentação gráfica do material escolar. “Temos a filial de Curitiba aqui na região sul, mas também temos um posto de atendimento ao professor na rua Santos Saraiva, no Estreito, aqui em Florianópolis, onde o pode-se conhecer melhor os livros e tirar dúvidas”, completa Juares.
Fátima Maria, assessora pedagógica regional, acredita que o Educasul pode ser o canal perfeito para estreitar as relações com o profissionais de nosso Estado. “Queremos estar cada vez mais próximos dos professores de Santa Catarina”, finaliza.
FRANCÊS DIZ QUE BRASIL DEVE MELHORAR,
E MUITO, A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES.
A revolução do sistema educacional brasileiro será responsável pela definição do futuro econômico do país. “Se o sistema educativo não se transformar urgentemente, prevendo a preparação para o Brasil novo, não haverá recursos humanos disponíveis”, afirma o professor Eric Plaisance, da Universidade de Sorbonne, em Paris, que está participando em Florianópolis do 5º Educasul, o mais importante congresso de educação deste ano e que reúne no CentroSul cerca de mil professores de todas as regiões.
O evento prosseguirá durante todo o dia de amanhã, sexta-feira (24), a partir das 9h, com mesas-redondas sobre transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), e sistemas de avaliação e indicadores de qualidade. A conferência de encerramento, no final da tarde desta sexta-feira, será feita pelo filósofo e escritor Rubem Alves que falará sobre educação e ética.
VISÃO
Surpreendentemente, a revolução a que Eric Plaisance se refere não está diretamente relacionada às palavras-chave que costumam definir as necessidades educacionais brasileiras, como investimento, remuneração e combate à evasão escolar, mas à formação dos professores. Segundo ele, é na melhor preparação dos profissionais responsáveis pelo ensino que está o resgate de tudo aquilo que é realmente importante para o Brasil, e que coloca o país sob o ângulo da sua visão como um país de Primeiro Mundo.
“Aqui está a chave do desenvolvimento brasileiro”, afirma o educador francês. Ele vem ao Brasil frequentemente, pelo menos duas vezes a cada ano, desde a década de 80. Esta é a primeira vez que o especialista veio a Florianópolis, convidado pelos organizadores do Educasul.
Graduado em Filosofia e doutor em Ciências Humanas pela Université René Descartes-Paris (Sorbonne), pesquisador e professor de Sociologia da Educação na mesma instituição parisiense, Eric Plaisance diz que esse processo de formação dos professores brasileiros deve ser feito através das universidades e é importante que haja homogeneidade. Segundo ele, o Brasil ainda está muito aquém dos índices mundiais de qualidade no que se refere à mão-de-obra especializada, e isso compromete, em muito, o futuro do país.
MESA-REDONDA
O PROFESSOR PRECISA SE APROFUNDAR MAIS NA TEORIA
O segundo dia de trabalhos do Educasul 2009 começou com uma Mesa-Redonda polêmica e acalorada. Zoia Ribeiro Prestes levantou sua tese de que as traduções de Vigotski para o português muitas vezes não respeitam seus pensamentos. E Zoia fala do assunto com propriedade; forçada a mudar para a Rússia durante sua infância por causa do exílio de seus pais, ela domina a língua perfeitamente. Zoia morou em Moscou por muitos anos e lá se formou em pedagogia e psicologia infantil pela Universidade Estatal Lenin de Pedagogia além de ser Mestre em educação pela mesma faculdade. De volta ao Brasil ela se deparou com a dificuldade de validar seus diplomas em nosso território. Mais de uma década se passou para que ela conseguisse tal validação e ao longo desse período se dedicou à tradução de livros.
- O professor precisa ler mais; se aprofundar na teoria; ir direto à fonte. E quando se trata de Vigotski temos uma dificuldade a mais pela língua diferente e pela falta de consistência em algumas traduções. Eu trabalho debruçada em seus livros, procurando ser a mais fiel possível ao seu pensamento, comentou Zoia.
EDUCAÇÃO INFANTIL: QUEM TEM MEDO DE ENSINAR
Dando continuidade às polêmicas da Mesa-Redonda, tomou a palavra a professora Alessandra Arce que abordou o tema de seu livro “Quem tem medo de ensinar na Educação Infantil”. Entre os pontos levantados, Alessandra falou sobre a necessidade da escola resgatar seu princípio básico de ensinar.
- Para se ensinar dentro da escola o ensino tem que estar dentro do curso de pedagogia. O professor precisa aprender a ser professor! Devemos nos voltar para o aperfeiçoamento do professor para que ele possa realizar de maneira segura o parto da criança para a vida social, comentou ela.
Em sua exposição, Alessandra continuou focada no dever da escola de ser um momento de suspensão da vida cotidiana, sendo planejada de forma consciente pelos adultos para a aprendizagem das crianças.
- Comecemos a pensar a escola de forma diferente. Ela deve ensinar aquilo que não está presente no cotidiano da criança ou forçá-la a descobrir o que está por trás, finalizou.
OFICINAS
Seguem resumos das oficinas realizadas neste segundo dia do Educasul:
Tema:Literarte
- Priscilla Cristine Trierweiller: “Antes de discutirmos o espaço da literatura e da arte no cotidiano pedagógico das escolas, devemos examinar a formação do professor. Se o professor não tem uma formação adequada de base, dificilmente ele consegue trabalhar isso com as crianças. A questão da arte e da literatura como profissões humanas precisam estar bem claras para o educador”.
“Na educação infantil costuma-se usar a arte para ensinar outras disciplinas, mas eu considero a arte como uma profissão humana e que deve ser trabalhada em toda sua especificidade”.
Priscilla trabalhou a materialização do uso da literatura e da arte na educação infantil; as relações entre teoria e prática; o espaço da estética e da arte e a linguagem artística.
Tema: Pedagogia hospitalar
- Alessandra Santana Soares e Barros: Especialista em bioética, a palestrante abordou os principais aspectos relacionados com a educação em espaços não-escolares. Em sua fala, expôs conceitos e apontou alternativas à disposição dos professores para a resolução de problemas o dia a dia da escola. Com vasta experiência, a educadora discorreu também sobre as diversas metodologias do trabalho pedagógico em ambiente hospitalar. Outro aspecto destacado foi a recreação como proposta terapêutica.
Tema: Oficina do Conpet na escola
- Fábio de Andrade: “Nós queremos expandir a idéia de que o consumo consciente de energia é uma atitude nota 10”, sintetizou Fábio que é integrante do Conpet – Programa nacional da racionalização do uso dos derivados do petróleo e do gás natural.
Este programa foi idealizado pelo Governo Federal e é administrado pela Petrobras. Entre outras ações o Conpet atua dentro das escolas “educando hoje e conscientizando para sempre”, focando sua atuação direta com os professores, naturais multiplicadores de informação. Assim, valoriza a experiência destes profissionais que estão diretamente nas salas de aula, adaptando metodologias e formando as futuras gerações do País.
Se você quiser implementar o Conpet em sua escola é necessário que entre em contato com a Secretaria de Educação.
Tema: Educando para a vida: experiências vividas nas unidades do Sistema Logosófico de Educação
- Marise Nancy de Alencar: “O colégio logosófico tem experiências educacionais parecidas com qualquer outra escola, mas o que o diferencia é o enfoque que damos na busca pelo que cada aluno tem dentro de si; sua realidade interna. E isso é trabalhado desde cedo”.
“Nós temos o objetivo de formar cidadãos melhores. Trabalhamos com eles desde as primeiras séries do ensino fundamental para que cada um extraia de dentro de si o que há de melhor”.
Tema: O cotidiano da creche – bebês de 0 a 3 anos
- Rosinete Valdeci Schmitt: “O cotidiano e a realidade vividos dentro da creche, mais especificamente de bebês de 0 a 3 anos, tem a ver com meu percurso enquanto professora de sala”.
Rosinete levantou elementos de como se constitui uma creche para bebês e como que deve ser este espaço, além de explicar como funciona o trabalho específico com crianças pequenas.
“Esta é uma área com poucas pesquisas e poucas discussões”.
Tema: Despertando a musicalidade – um enfoque voltado à Educação Infantil
- Denise Boppré: “A música é uma ferramenta importantíssima para ser usada na educação infantil. Ela ajuda a criança na reflexão e facilita o entendimento. Por exemplo, no projeto que nós temos, se vamos trabalhar com um professor de matemática damos um jeito de criar a ‘tabuada do samba’, que deixa a matéria mais agradável de aprender além de dinamizar a assimilação”.
Denise explicou que o trabalho é feito não só usando a música, mas a arte como um todo, tentando explorar tudo o que for possível. “A arte ajuda a quebrar paradigmas”.
“É impressionante como a música fica! Já fizemos um trabalho em asilo e na tentativa de resgate da memória as primeiras coisas que vinham à mente eram as músicas de infância. Senhores e senhoras de mais de 90 anos lembrando-se de músicas cantadas em suas infâncias”.
PALESTRA
Outro palestrante deste segundo dia do Educasul, além do francês Eric Plaisance, foi o respeitado professor Cloves Antonio de Amissis Amorim. Ele expôs o tema (“Formação do professor - um olhar sobre a subjetividade”) no final da tarde a uma atenta platéia. Em certo trecho do pronunciamento, disse que “a educação exige um claro posicionamento político e pedagógico”. Frisou que não existe ação educativa que não seja permeada pela personalidade do professor, chamando a atenção dos educadores para o fato de que, em sala de aula, “nós encantamos os alunos ou não”. |